Estacionamento 23 h : árabe bem dotado, boquete no carro

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Ei, caras. Meu nome é Mathis, tenho 27 anos, moro em Paris, e sou o tipo de cara que passa mais tempo de joelhos do que deslizando em apps. Eu adoro chupar pau. Não “um pouco”. De verdade. O cheiro de um agasalho ainda quente, o peso de um pau pesado na língua, o silêncio de um estacionamento às onze da noite. Se você curte boquetes gays sem cenário de estúdio, essa história é para você.

Era uma sexta-feira. Nada de especial. Só aquele calor pegajoso de fim de verão que gruda nas paredes mesmo depois de escurecer. Eu tinha saído tarde demais, estava duro o trajeto inteiro de metrô, e em vez de ir para casa, dei uma volta em direção a um estacionamento de vários andares na beira de um bosque, a leste de Paris. Não vou dar o nome. Lugares reais, você queima eles escrevendo. Vamos dizer só um estacionamento como os que você filmaria aqui: concreto, rampas, luzes fluorescentes amarelas, um carro a cada três minutos.

No nível -1, já tinha um sedã escuro, motor desligado, janela do motorista entreaberta. Música baixa, raï antigo, quase ridículo, e cheiro de cigarro de mentol. O cara saiu sem pressa. Agasalho preto, tênis branco limpo demais para aquela hora, barba curta bem cuidada, uma camiseta que marcava o peito. Um daqueles árabes gays que você encontra e já classifica como “ele vai me olhar como se eu já estivesse de joelhos”. Argelino, descobri depois. Trinta e poucos anos. Voz calma. Nada de moleque.

Ele me avaliou por um segundo. Sem sorriso. Um aceno.

— Tá aqui pra filmar ou pra chupar?

Respondi com sinceridade.

— Chupar.

Ele abriu a porta de trás. Sem preliminares de Instagram. O banco cheirava a couro quente e aftershave barato. Ele sentou de lado, coxas abertas, e só puxou o agasalho para baixo. Sem cueca. O pau caiu pesado, já meio duro, cabeça larga, veias marcadas, bolas penduradas. Um pau grosso e grande, não um pau lisinho de pornô: um pau de verdade, um pouco curvado, ainda mole o bastante para eu pesar na mão antes de endurecer contra minha bochecha.

Fiquei de joelhos entre o banco e a porta. O concreto do estacionamento apertava meus tênis. Ele, uma mão no meu cabelo, a outra no encosto de cabeça. Não falou logo. Só empurrou. Eu abri. O gosto já estava lá — pele, sal, um toque de sabonete. Lambi a parte de baixo, devagar, porque eu gosto disso, e porque caras como ele ficam mais duros quando você toma tempo no começo. Quando ele ficou completamente duro, quente, ele só disse:

— Mais fundo.

Engolir até o fundo não é performance. É ritmo. Relaxei a mandíbula, avancei, senti a cabeça passar o fundo da garganta, respirei pelo nariz contra o pelo pubiano raspado por cima. Ele gemeu uma vez, curto, como um cara que não gosta de ser ouvido. A mão apertou. Ele começou a foder minha boca com estocadas curtas, nada ento, só na medida, o tipo que um homem faz quando sabe o que quer e não precisa bancar o durão. De vez em quando um carro passava na rampa. Os faróis varriam o teto. Não nos mexemos.

Depois de um tempo ele bateu no meu ombro duas vezes.

— Fora. Tá quente demais aqui.

Recuamos contra um pilar, parcialmente abrigados da rampa, bem na beira do ar livre: o ar da noite no meu rosto molhado, o agasalho ainda abaixado, o pau dele brilhando. Ele encostou as costas no concreto. Eu de joelhos no chão gorduroso. Lá fora, sem a porta do carro para me esconder, ficou mais cru. Mais bonito também. A barba dele, a luz fluorescente amarela no osso da bochecha, o jeito como ele vigiava a rampa só por precaução. Voltei ao trabalho. Mais babado. Mais saliva. O barulho de chupada ecoa mais longe lá fora, coisa idiota de dizer, mas é verdade.

Ele finalmente falou, em voz baixa.

— Você é de verdade. Não é turista.

Eu puxei só o suficiente para responder, os lábios ainda pressionados na cabeça.

— Vim aqui por isso.

Ele sorriu pela primeira vez. Nada de bondoso. Satisfeito.

— Engolir ou no rosto?

Hesitei um segundo. Gosto dos dois. Naquela noite escolhi no rosto. Uma gozada, quando vem de um cara assim, não é figura de linguagem. É quente, é grossa, bate na bochecha, escorre pela barba que eu não tenho, fica no canto da boca.

Ele acelerou. Estocadas curtas. A coxa dele tremia contra minha orelha. Ele puxou de repente, masturbou duas vezes segurando a nuca, e gozou. O primeiro jato pegou minha testa, o segundo minha boca aberta, o terceiro meu queixo. Engoli o que já estava na língua. O resto deixei. Ele soltou um “porra” baixo, bateu na minha bochecha com dois dedos, quase com carinho, e puxou o agasalho de volta.

Não trocamos números. Ele acendeu outro cigarro, me viu me limpar com a barra da camiseta e disse:

— Mesma hora na próxima semana. Se você estiver aqui, você está aqui.

Ele voltou para o carro. O sedã saiu do nível -1 sem chiar. Eu fiquei um minuto contra o pilar, o gosto ainda ali, concreto nos joelhos, o bosque perto cheirando a húmus e gasolina. É isso que eu procuro, toda vez: nada de romance. Um encontro de verdade. Um árabe que sabe o que está fazendo. Uma boca que serve para alguma coisa.
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